Autocobrança excessiva no trabalho pode transformar busca por desempenho em risco à saúde mental

Minsk
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Especialista em inteligência emocional Rogério Silva alerta que pressão constante por produtividade, perfeccionismo e dificuldade de estabelecer limites podem favorecer o esgotamento profissional

Ser produtivo, cumprir metas, entregar bons resultados e crescer profissionalmente são objetivos comuns no mundo do trabalho. Quando acompanhadas de uma cobrança interna permanente, porém, essas aspirações podem se tornar fonte de sofrimento. Em uma rotina marcada pela competitividade e pela pressão por resultados, reconhecer quando a busca por desempenho ultrapassa os próprios limites é um desafio para muitos profissionais.

Os números ajudam a dimensionar a preocupação com a saúde mental da população trabalhadora. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais no Brasil, um crescimento de 15,66% em relação a 2024. Transtornos ansiosos e episódios depressivos estiveram entre as principais causas dessas concessões.

Para o especialista em inteligência emocional Rogério Silva, a autocobrança pode funcionar como estímulo em determinados momentos, mas se torna prejudicial quando a pessoa passa a associar permanentemente seu próprio valor aos resultados profissionais.

“Existe uma diferença muito grande entre querer fazer um bom trabalho e acreditar que você nunca pode errar. Quando a pessoa sente que precisa entregar sempre mais, provar o próprio valor o tempo inteiro e não consegue reconhecer aquilo que já realizou, ela entra em um ciclo de cobrança que pode se tornar emocionalmente desgastante”, explica.

A preocupação vai além do cenário brasileiro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cargas excessivas, jornadas longas ou inflexíveis, baixo controle sobre o trabalho, insegurança profissional e pouco apoio estão entre os fatores que ameaçam a saúde mental dos trabalhadores. Globalmente, a depressão e a ansiedade estão associadas à perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com impacto de cerca de US$ 1 trilhão em produtividade.

Segundo Rogério, a autocobrança excessiva pode se manifestar de diferentes maneiras: dificuldade de se desligar do trabalho fora do expediente, culpa ao descansar, medo constante de errar, comparação com colegas, necessidade de aprovação e sensação de que nenhuma entrega é suficientemente boa.

“Um dos sinais importantes é quando a conquista deixa de gerar satisfação. A pessoa termina uma tarefa e, em vez de reconhecer o resultado, imediatamente pensa no que poderia ter feito melhor ou no próximo problema que precisa resolver. É como se nunca houvesse uma linha de chegada”, afirma.

Outro ponto de atenção é a normalização do esgotamento como demonstração de comprometimento. Trabalhar continuamente além dos próprios limites não significa, necessariamente, ser mais produtivo ou dedicado. A OMS reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional decorrente do estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente.

Para Rogério, estabelecer limites não significa reduzir o compromisso com a carreira. Organizar prioridades, reconhecer as próprias limitações e compreender que o valor de uma pessoa não se resume ao seu desempenho profissional são medidas que podem contribuir para uma relação mais sustentável com o trabalho.

“Precisamos substituir a ideia de perfeição pela ideia de evolução. Nem tudo será urgente, nem todo erro representa incompetência e ninguém consegue manter desempenho máximo o tempo inteiro. Inteligência emocional também significa perceber quando é hora de avançar e quando é necessário desacelerar, reorganizar prioridades ou pedir ajuda”, pontua.

A responsabilidade, contudo, não deve recair exclusivamente sobre o trabalhador. A OMS recomenda intervenções organizacionais para reduzir riscos psicossociais, além da capacitação de gestores para reconhecer o sofrimento emocional, melhorar a comunicação e oferecer apoio às equipes.

Para Rogério Silva, discutir o tema dentro das empresas é fundamental para evitar que comportamentos prejudiciais sejam confundidos com alto desempenho.

“Uma cultura que glorifica o excesso pode fazer com que as pessoas só percebam que ultrapassaram seus limites quando o corpo ou a mente já começaram a dar sinais. Resultado é importante, mas nenhuma carreira deveria ser construída às custas da própria saúde mental”, conclui.

Serviço

Autocobrança excessiva no trabalho pode transformar busca por desempenho em risco à saúde mental

Especialista em inteligência emocional: Rogério Silva

Instagram: @sourogerio1

Contato: 62 98464-6909

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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