Ana Cacimba lança “LUMINOSA – Ato II: Sol” e transforma espiritualidade em experiência cotidiana no novo disco

Hester M. Wasinger
4 Min Read

(Foto: Flora Negri)

A obra reúne participações de Léo da Bodega, PH Moraes, do duo Luau e Big Up, consolidando fase mais madura da artista

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A cantora e compositora Ana Cacimba apresenta “LUMINOSA – Ato II: Sol”, com lançamento previsto para o dia 21 de maio nas plataformas digitais pela Universal Music em parceria com a Head Media.

O trabalho integra LUMINOSA, disco duplo dividido em dois atos – iniciado com “Ato I: Lua” – e agora ganha sua segunda parte com 11 faixas que aprofundam a relação entre espiritualidade e vida cotidiana a partir de uma perspectiva mais sensorial, afetiva e humana.

Dando continuidade ao universo apresentado no primeiro ato, o novo disco desloca o olhar do campo espiritual para a experiência vivida na pele. “Se ‘Lua’ mergulha na fé e no invisível, ‘Sol’ é sobre viver o mundo com tudo o que ele oferece – amor, desejo, dor e liberdade – sem perder a conexão com o que sustenta”, resume a artista.

O conceito nasce da poesia “Oração”, de sua autoria, especialmente do verso “metade de mim é o que eu creio e a outra metade é o que eu sinto”, que orienta a dualidade presente na obra.

Na sonoridade, o disco transita entre a nova MPB, o afro pop e o chamado macumbeat, além de dialogar com o que a artista define como uma “macumba popular brasileira” – um conceito político e estético que afirma a presença da afro-religiosidade como força estruturante da cultura e da música do país -, combinando instrumentos orgânicos e beats eletrônicos em uma linguagem contemporânea que aproxima tradição e atualidade. Referências que vão de Os Tincoãs, Clara Nunes e Trio Ternura a nomes como Luedji Luna, Xênia França e Vanessa da Mata ajudam a compor o repertório.

Entre as participações estão Léo da Bodega, PH Moraes, do duo Luau e a banda Big Up, que se junta a Ana no single “Sorte”. A faixa sintetiza o espírito do lançamento ao abordar o amor leve, a parceria e o reconhecimento do axé presente nas relações.

O processo de criação se estendeu por três anos, em parceria com a Head Media e o coletivo Los Brasileros. Parte das composições surgiu antes mesmo do primeiro ato e foi revisitada após “Lua”, revelando uma fase mais íntima e emocional da artista.

Dirigido por Sorriso, o clipe de “Sorte”, que acompanha o lançamento, foi gravado em Paraty e acompanha a trajetória de uma mulher que redescobre sua força após um término, reforçando o autocuidado e a liberdade como formas de amar.

A identidade visual guia essa virada. A capa, fotografada por Flora Negri, com styling de Geórgia Feola, acessórios da Afrotik e beleza assinada por Larissa Lis, aposta em efeitos práticos para traduzir calor, intensidade e vitalidade – elementos associados ao Sol, em contraste com o clima mais introspectivo do primeiro ato.

Ao longo das faixas, o disco percorre diferentes nuances do amor e da espiritualidade. Canções como “Demora” e “Dois Sóis” abordam relações em construção, enquanto “Sereia” e “Turmalina Negra” exploram desejo, liberdade e identidade. Já “Mandinga” e “Gira” reforçam a força das tradições afro-brasileiras, com referências a orixás como Oxum, Iemanjá, Ogum e Oyá.

Com “LUMINOSA – Ato II: Sol”, Ana Cacimba consolida uma linguagem própria ao aproximar espiritualidade afro-brasileira e música contemporânea, propondo uma escuta em que o sagrado não está distante – mas presente no cotidiano, nas relações e no corpo.

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