Traição pública e exposição emocional: caso de Manu Cit reacende debate sobre autoestima, limites e relações fragilizadas

Hester M. Wasinger
4 Min Read

A descoberta de uma traição já é, por si só, um abalo profundo. Quando tudo acontece sob os olhos atentos das redes sociais, a dor ganha outra dimensão. Foi o que viveu recentemente a influenciadora Manu Cit, que teve sua relação e a possibilidade de uma infidelidade debatidas por milhares de pessoas — muitas delas desconhecidas, mas rapidamente envolvidas na narrativa.

A exposição transforma o que deveria ser uma dor íntima em espetáculo público. Para a terapeuta de casais e especialista em sexualidade tântrica Dri Linares, a traição não atinge apenas a confiança no parceiro, mas também a própria percepção de valor.
“A traição é um trauma relacional. Ela desorganiza a autoestima, desmonta a sensação de segurança e faz a pessoa questionar se foi suficiente, quando a responsabilidade nunca é dela”, afirma.

Segundo Dri, a dimensão pública agrava o impacto emocional porque expõe a vítima ao olhar, ao julgamento e até ao deboche de terceiros — algo que amplia o sofrimento.
“Quando tudo vira assunto na internet, a pessoa traída não lida só com a dor, mas também com vergonha, interpretações distorcidas e narrativas que não pertencem a ela”, explica.

Cada um reage de um jeito — e tudo bem

Enquanto algumas pessoas falam, desabafam e expõem seus sentimentos, outras preferem o silêncio. Para a especialista, ambas as reações são legítimas.

“A forma como cada um processa o trauma depende da história de vida, dos recursos emocionais e do nível de apoio que recebe. Não existe certo ou errado. Existe sobrevivência emocional”, afirma Dri.

Ela reforça que a cura não acontece da noite para o dia, mas segue um caminho que envolve três pilares principais:

Reconhecer a dor sem se culpar.

“A culpa é um peso que não pertence à pessoa traída, e esse é um dos primeiros passos para começar a se reorganizar emocionalmente”, diz a terapeuta.

Revisar limites e necessidades afetivas.

“A traição faz a pessoa repensar o que tolera, o que exige e o que realmente precisa para se sentir segura numa relação”, explica.

Buscar apoio seguro.

Isso pode incluir terapia individual ou um processo terapêutico de casal, caso haja desejo genuíno de reconstrução.
“Terapia não garante o retorno do relacionamento, mas garante a reconstrução do indivíduo”, reforça Dri.

Traição não define caráter — nem futuro

Apesar do impacto devastador, a especialista acredita que situações como essa também podem despertar força e clareza.
“Traição não define ninguém. Ela pode machucar, mas também pode revelar limites que talvez nunca tivessem sido percebidos. Muitas pessoas saem desse processo mais conscientes de quem são e do tipo de relação que merecem”, diz Dri Linares.

No fim, a mensagem é direta: a dor é real, mas a identidade permanece.

“Nenhuma traição apaga dignidade ou valor. É possível se reconstruir e emergir ainda mais forte”, conclui a terapeuta.

Share this Article