Páscoa 2026 reforça o papel do digital e amplia oportunidades para o varejo

Hester M. Wasinger
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Consumidor mais planejado intensifica uso da internet na jornada de compra e impulsiona estratégias integradas

A Páscoa segue como uma das datas mais relevantes para o varejo brasileiro e, em 2026, mantém um cenário positivo mesmo com a pressão de preços mais elevados. A tendência é de um consumidor mais racional, que compara canais e busca melhores condições, mas ainda disposto a ampliar o volume de compras em relação ao ano anterior. Nesse contexto, a internet se consolida como ponto central da jornada, especialmente na etapa de pesquisa.

Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, 62% dos consumidores utilizam o ambiente digital para pesquisar preços, enquanto 25% pretendem concluir a compra online. O dado reforça que a influência do digital vai além da conversão direta e impacta toda a decisão de consumo.

“Na prática, a jornada de Páscoa é cada vez mais híbrida. O consumidor descobre produtos, compara marcas, avalia promoções e busca conveniência no ambiente digital, mas muitas vezes finaliza no supermercado, em lojas especializadas ou em pontos físicos de proximidade”, afirma Diogo Olher, cofundador e VP de Marketing e Digital Business da Social Digital Commerce.

(Porta-voz Diogo Olher)

Segundo o executivo, é justamente essa dinâmica que amplia o peso estratégico do digital na data. “Não basta estar preparado para vender, é preciso estar preparado para influenciar. Quem aparece antes, comunica melhor valor e organiza o sortimento de forma inteligente e sai na frente”, acrescenta.

Mais do que um canal de transação, o e-commerce se consolida como ferramenta de construção de demanda. Na Páscoa de 2025, o comércio eletrônico cresceu 9,6%, superando o varejo físico, segundo o ICVA/Cielo. Entre pequenas e médias empresas, os resultados foram ainda mais expressivos. A Olist registrou alta de 27,6% nas vendas na Semana da Páscoa, movimentando R$ 802 milhões e 2,5 milhões de transações. Já a Nuvemshop apontou crescimento de 30% no faturamento das PMEs online que investiram na data.

No mix de produtos, o chocolate segue como protagonista, acompanhado por bombons e barras, enquanto cresce a demanda por opções artesanais e personalizadas, alinhadas à busca por diferenciação e melhor percepção de custo-benefício. Nas redes sociais, os ovos recheados concentram 25% das menções nesta temporada. Nas buscas, versões infantis, de colher, trufadas e recheadas seguem entre as mais procuradas.

A expectativa para o varejo também é positiva. A CNC projeta que a Páscoa de 2026 movimente R$ 3,57 bilhões, com crescimento real de 2,5% e novo recorde para a data. O avanço ocorre mesmo com aumento médio de 6,2% nos preços da cesta típica. Cerca de 106,8 milhões de brasileiros pretendem comprar no período, com gasto médio estimado em R$ 253 e aquisição média de cinco produtos.

Além do consumo, a data se consolida como momento de celebração familiar e gastronômica. Segundo a CNDL, 78% dos consumidores pretendem consumir pratos típicos, com destaque para peixes como bacalhau e salmão, além de itens como colombas, azeites, vinhos e pães, ampliando as oportunidades para o varejo.

“Não se trata mais apenas de vender chocolate, mas de montar cestas de ocasião, kits, combos e experiências completas”, explica o executivo.

Outro ponto relevante é a antecipação da disputa comercial. A indústria colocou cerca de 700 produtos de Páscoa no mercado, 14% a mais do que em 2025, e muitas marcas iniciaram as vendas ainda em janeiro. Esse movimento amplia a janela promocional e reforça a importância de antecipar a comunicação, já que ações tardias tendem a competir principalmente por preço.

Para Olher, o desempenho positivo da data deve beneficiar marcas que combinam estratégia e execução. “O consumidor quer celebrar, quer presentear e quer manter a tradição, mas está mais seletivo. Para o e-commerce, isso significa uma data menos dependente de volume puro e mais dependente de estratégia”, conclui.

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