Estudos mostram que o olfato é o sentido mais ligado às emoções e à memória. Entenda como usar aromas no dia a dia pode ajudar a desacelerar e transformar a relação com o lar.
Você já percebeu como alguns cheiros têm o poder imediato de acalmar, acolher ou despertar lembranças? Diferente dos outros sentidos, o olfato se conecta diretamente ao sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções, pela memória afetiva e pelas respostas emocionais automáticas. É por isso que o aroma de um ambiente pode impactar o humor em questão de segundos.
Pesquisas em neurociência sensorial indicam que até 75% das emoções cotidianas são influenciadas por estímulos olfativos, mesmo quando não percebemos conscientemente. Não à toa, o mercado global de aromaterapia cresce a uma média de 8% ao ano, impulsionado pela busca por alternativas naturais de bem-estar, relaxamento e qualidade de vida.
Dentro de casa, esse movimento tem ganhado força especialmente após a pandemia, quando o lar passou a concentrar trabalho, descanso e vida pessoal. Aromatizar ambientes deixou de ser apenas um detalhe decorativo e passou a fazer parte de uma rotina de autocuidado. Difusores de varetas, por exemplo, oferecem uma fragrância contínua e equilibrada, ajudando a criar uma sensação de constância emocional em áreas comuns como salas e escritórios domésticos.
Já o maison spray permite uma ação mais pontual e intencional, ideal para marcar transições do dia — como o fim do expediente ou a preparação para receber visitas. No quarto, a água perfumada de lençol tem se tornado uma aliada do sono. Aplicada pouco antes de deitar, ela ajuda a criar uma associação sensorial entre aroma e descanso, favorecendo o relaxamento do corpo.
As velas aromáticas também entram nesse ritual, não apenas pelo cheiro, mas pelo gesto de pausa que representam. Acender uma vela envolve desacelerar, reduzir estímulos visuais e criar um momento de presença — algo cada vez mais raro em rotinas aceleradas.
Segundo Rebeca Galhardo, perfumista e aromaterapeuta à frente da Cadeaux Brasil, o segredo está no uso consciente dos aromas. “Não se trata de perfumar excessivamente a casa, mas de entender que cada cheiro comunica algo ao nosso corpo e à nossa mente. Quando bem escolhidos, os aromas ajudam a criar sensação de acolhimento, segurança e equilíbrio emocional”, explica.
Especialistas recomendam evitar misturar muitas fragrâncias no mesmo ambiente e respeitar o tamanho do espaço. Ambientes menores pedem aromas mais suaves, enquanto áreas amplas permitem maior difusão. O excesso, além de causar desconforto, pode gerar o efeito contrário ao desejado.
Em um cenário de sobrecarga emocional, o cuidado sensorial surge como uma forma simples e acessível de reconexão. Pequenos rituais, como perfumar a casa de forma consciente, ajudam a transformar o cotidiano e a criar espaços que realmente sustentam o bem-estar.