O Brasil estuda inglês, mas não fala: a leitura de Renata de Paula sobre um problema estrutural

Hester M. Wasinger
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Nunca se estudou tanto inglês no Brasil. Apesar disso, a fluência funcional continua sendo privilégio de poucos, especialmente no ambiente corporativo e em contextos internacionais. O problema não está na quantidade de cursos oferecidos, mas na forma como o idioma é ensinado.

Para Renata de Paula, especialista em Comunicação Internacional, o país enfrenta uma distorção histórica: confunde aprendizado com comunicação. O resultado é um contingente de profissionais tecnicamente preparados, mas emocionalmente travados ao precisar se expressar em inglês.

O ensino tradicional privilegia gramática, repetição e memorização, mas falha ao preparar o aluno para situações reais como reuniões, apresentações, negociações e liderança multicultural. O bloqueio surge quando o idioma precisa ser usado como ferramenta de posicionamento e influência.

Esse fenômeno gera um custo invisível para empresas e profissionais. Projetos internacionais são adiados, oportunidades deixam de ser aproveitadas e carreiras ficam limitadas por uma barreira que não é linguística, mas emocional e comportamental.

A aplicação da neurociência ao processo de aprendizagem revela que adultos aprendem de forma diferente. Traumas, experiências negativas e crenças limitantes acumuladas ao longo da vida interferem diretamente na capacidade de falar outro idioma.

Ao não considerar esses fatores, o sistema educacional brasileiro perpetua um ciclo em que o aluno estuda, mas não se comunica. Romper esse ciclo exige uma abordagem que trate o inglês como ferramenta estratégica, integrada à comunicação, à liderança e ao comportamento humano.

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