Gestão de risco sai da central de monitoramento e chega à expedição

Minsk
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Transportadoras integram seguro, treinamento, dados e acompanhamento das viagens para evitar que falhas de processo exponham as cargas

Por muito tempo, a gestão de risco no transporte foi associada principalmente ao rastreamento do caminhão. O aumento da complexidade das operações ampliou esse conceito. A prevenção agora começa antes da viagem, com a análise da carga, do motorista, do veículo, da rota e dos procedimentos necessários para liberar o embarque.

Essa mudança exige a participação de áreas que nem sempre trabalharam de maneira integrada. A equipe comercial aceita a carga, a expedição organiza o veículo, o motorista realiza a viagem, a gerenciadora monitora o percurso, a seguradora assume os riscos previstos na apólice e a corretora orienta o transportador sobre as condições contratadas.

Quando uma informação se perde entre essas etapas, a operação pode ficar exposta.

“Nenhuma empresa consegue gerenciar o risco de forma isolada. A corretora conhece as condições da apólice, a transportadora conhece a operação, a gerenciadora acompanha a viagem e a seguradora avalia o risco. O resultado aparece quando essas informações deixam de ficar separadas”, afirma Vinicius M. Seraco, diretor de Gestão de Risco da Solist.

A mesma regra não serve para todas as cargas

As exigências podem mudar conforme o valor, o tipo de mercadoria, a região atendida e o histórico de risco da operação. Uma viagem pode exigir somente o rastreamento regular do veículo, enquanto outra demanda redundância de sinal, escolta ou restrições a horários e pontos de parada.

Por isso, a existência de um plano de gerenciamento de risco não garante, isoladamente, que os procedimentos sejam executados.

“Nosso papel não é substituir a gerenciadora ou administrar a operação do cliente. É identificar exposições, traduzir as exigências do seguro e ajudar a transportadora a criar procedimentos que possam ser compreendidos e executados pelas equipes”, diz Segundo Cruz, CEO da Solist.

A corretora utiliza o SGR, metodologia formada por diagnóstico, treinamentos, auditorias e comitês de risco. Os encontros reúnem representantes da transportadora, da gerenciadora, da seguradora e da própria corretora para avaliar gargalos e acompanhar as medidas adotadas.

Mais de 4 mil profissionais já participaram das capacitações, que envolvem equipes operacionais, motoristas e ajudantes.

Cases mostram aplicação na rotina

Na Transferrari, a metodologia foi aplicada a uma operação específica caracterizada por elevado histórico de roubo. O diagnóstico identificou vulnerabilidades na planta de carregamento e levou à adoção de procedimentos personalizados com duplo check de risco entre motorista e central de monitoramento.

Depois da implantação, a empresa não registrou mais sinistros.

“Gestão de risco não pode ser um documento conhecido apenas pela diretoria. Ela precisa aparecer nas decisões tomadas por quem recebe a carga, programa o veículo, libera o embarque e acompanha a viagem”, afirma Rogério, CEO da Transferrari.

Na TSLogg, o trabalho partiu da necessidade de ajustes no PGR. A empresa adotou um acompanhamento sistemático dos indicadores de risco orientando toda equipe operacional através de constantes treinamentos e alcançou um excelente índice de validação das regras de GR em toda operação.

Informação precisa chegar ao monitoramento

A gerenciadora de risco entra em ação durante o acompanhamento da viagem, mas depende de dados previamente definidos.

A integração tecnológica também reduz a fragmentação dos dados usados na tomada de decisão.

Para Seraco, o aumento dos controles não deve resultar em processos incompatíveis com a atividade da transportadora.

“A gestão de risco não pode paralisar o negócio. Os controles precisam ser proporcionais à exposição de cada viagem. O desafio é proteger a carga e, ao mesmo tempo, preservar a capacidade operacional da empresa.”

(Crédito: iStock)

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