Além da reputação, publicações jornalísticas passam a alimentar marketing, buscas e a construção do histórico online de empresas e profissionais
A transformação digital está mudando até mesmo um dos serviços mais tradicionais da comunicação corporativa. Se durante décadas a assessoria de imprensa teve como principal objetivo conquistar reputação e visibilidade por meio de jornais, revistas, rádio e televisão, hoje uma publicação pode continuar gerando valor muito depois de deixar de ser notícia. Portais eletrônicos, mecanismos de busca, hiperlinks e, mais recentemente, a Inteligência Artificial estão fazendo com que a presença na imprensa também se transforme em um patrimônio digital para empresas e profissionais.
A mudança acompanha o próprio comportamento do público. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, aponta que 84% da população brasileira tem acesso à internet e que o número de veículos de mídia online cresceu em 2025. O levantamento mostra ainda que a mídia digital respondeu por 40,6% do investimento publicitário no Brasil, praticamente empatada com a televisão, com 41,3%. Paralelamente, uma pesquisa da EY divulgada em 2026 apontou que 94% dos brasileiros entrevistados haviam utilizado Inteligência Artificial nos seis meses anteriores. Para a jornalista e estrategista de comunicação Verônica Pacheco, CEO da Toda Comunicação, esse cenário exige uma nova compreensão sobre o papel da assessoria de imprensa.

“A reputação continua sendo a nossa principal entrega, mas hoje uma matéria não termina quando é publicada. Ela pode virar conteúdo para as redes sociais, argumento para o departamento comercial, referência no Google e parte do histórico digital daquela marca. A assessoria de imprensa passou a construir ativos que continuam trabalhando depois que a notícia deixa de ser novidade”, afirma Verônica.
Na prática, a mudança está relacionada principalmente à multiplicação dos canais digitais. Uma entrevista que antes poderia ter seu impacto concentrado no dia em que um jornal circulava ou um programa era transmitido agora pode permanecer disponível por anos em um portal. Quando essas publicações trazem o nome do profissional, sua especialidade, empresa, fotografia e hiperlink para o site oficial, passam a formar uma rede de referências digitais sobre aquela marca.
Segundo Verônica, é justamente nesse ponto que assessoria de imprensa, marketing e posicionamento digital começam a se aproximar. “São três entregas que se complementam. A imprensa constrói reputação porque existe a validação de um terceiro. A matéria gera conteúdo de qualidade que o marketing pode reaproveitar. E, quando essas publicações permanecem online, começamos a construir um histórico digital consistente sobre aquele profissional ou empresa”, explica.
Os hiperlinks inseridos editorialmente nas matérias também podem contribuir para a estratégia de SEO, embora seu impacto dependa de fatores como autoridade do domínio, atributos técnicos do link e relevância do conteúdo. Para a estrategista, entretanto, o valor está no conjunto. Em vez de pensar somente em uma grande exposição isolada, a comunicação passa a buscar recorrência, diversidade de fontes e presença qualificada ao longo do tempo.
A Inteligência Artificial acrescentou uma nova camada a essa transformação. À medida que ferramentas de IA passam a fazer parte da maneira como consumidores pesquisam produtos, serviços e profissionais, aumenta a importância de existirem informações públicas, coerentes e qualificadas sobre uma marca na internet. Verônica ressalta, porém, que nenhuma assessoria pode garantir que determinada plataforma recomendará um cliente. “Não se trata de manipular a Inteligência Artificial ou prometer uma indicação. Trata-se de construir presença. Se uma empresa quer ser reconhecida no ambiente digital, precisa existir digitalmente de maneira consistente, em fontes próprias e também em fontes independentes. A imprensa tem um papel importante nessa construção”, afirma.
À frente da Toda Comunicação, que completou recentemente 23 anos, Verônica diz que acompanhar essa transformação passou a fazer parte da própria evolução da agência. A empresa tem intensificado o trabalho de distribuição online e a busca por hiperlinks, sem abandonar a conquista de espaços em veículos tradicionais e de grande alcance. “Em comunicação, experiência não pode significar fazer durante 20 anos exatamente a mesma coisa. O mercado muda, a tecnologia muda e o comportamento das pessoas muda muito rápido. A maturidade está em preservar aquilo que continua valioso, como credibilidade e relacionamento com jornalistas, e incorporar as ferramentas e estratégias que fazem sentido para o presente”, destaca.
Para ela, o futuro da assessoria de imprensa está justamente na integração. Relações públicas, conteúdo, SEO, redes sociais, imprensa e Inteligência Artificial não devem ser tratados como universos completamente separados. “Uma boa reputação facilita o trabalho do marketing e do comercial porque confiança vem antes da venda. Nosso desafio agora é fazer com que cada espaço conquistado na imprensa tenha uma vida muito maior: gere autoridade no presente e ajude a construir o patrimônio digital que a marca levará para o futuro”, conclui.
Serviço: Toda Comunicação
Verônica Pacheco
Jornalista e Estrategista de Comunicação
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