Mônica Faria leva olhar sobre negritude, ancestralidade e história do samba para o CONASAMBA Uruguai

Minsk
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Historiadora, geógrafa e pesquisadora participa da primeira edição internacional do congresso, que acontece nos dias 12 e 13 de setembro, em Montevidéu

A relação entre samba, ancestralidade, identidade negra e resistência estará no centro da participação da historiadora e geógrafa Mônica Faria na primeira edição internacional do CONASAMBA – Congresso Nacional do Samba, que acontece nos dias 12 e 13 de setembro, em Montevidéu, no Uruguai. Com uma trajetória que reúne pesquisa histórica, educação e vivência no Carnaval, Mônica integra a programação do primeiro dia do congresso, dedicado ao eixo político.

Especialista em Relações Étnico-Raciais, Legislativo e Democracia no Brasil e Docência Superior, Mônica atua na área de Educação no Estado de São Paulo e é fundadora da Iroko Educacional, além de integrar o Conselho Editorial da Revista Raça. Pesquisadora de História Antiga, com especial interesse por Kemet, e estudiosa das tecnologias ancestrais, sua atuação parte da perspectiva de valorização dos conhecimentos africanos e afro-brasileiros e da construção de novas narrativas sobre a história e a contribuição da população negra.

É também no Carnaval que parte dessa trajetória encontra expressão. Mônica mantém uma relação histórica com o universo do samba, tendo participado de processos ligados à criação carnavalesca. Sua vivência no Carnaval inclui ainda a experiência como Rainha do Carnaval de São Paulo, posição que ampliou sua relação com uma manifestação cultural que ultrapassa o espetáculo e se conecta diretamente à história da população negra brasileira.

É justamente a partir dessa perspectiva que ela participa da primeira mesa do CONASAMBA, no sábado (12), das 11h às 13h, com o tema “As raízes do samba, do Carnaval, ancestralidade, a força das mulheres”. O painel será mediado por Niusa da Silva e reunirá também Anabel de Matteis, Doris Piriz, diretora de Gênero da Intendência de Canelones, e Andrea Álvarez, do Uruguai.

A presença de Mônica ratifica a discussão proposta pelo congresso ao colocar em evidência a dimensão histórica e social do samba e do Carnaval no Brasil e países vizinhos. A partir de sua formação como historiadora e de sua atuação na área de relações étnico-raciais, a pesquisadora contribui para uma reflexão sobre como manifestações culturais negras foram preservadas, transformadas e ressignificadas ao longo do tempo.

“Falar sobre as raízes do samba é também falar sobre memória, resistência e sobre os conhecimentos que foram preservados mesmo diante das tentativas históricas de apagamento. O Carnaval é uma expressão cultural que carrega muitas dessas histórias e precisamos compreender quem são os sujeitos que construíram e continuam construindo essa manifestação”, afirma a painelista cuja atuação profissional e acadêmica está diretamente ligada à valorização dos saberes africanos e à necessidade de ampliar a presença dessas referências nos espaços de formação e produção de conhecimento.

Em artigo publicado pelo Portal Geledés, Mônica aborda questões relacionadas à experiência de pessoas negras, identidade e apropriação cultural, reafirmando sua atuação em uma perspectiva de valorização e descolonização do conhecimento. Essa abordagem ganha uma dimensão internacional no CONASAMBA, ao colocar em diálogo experiências brasileiras e uruguaias em torno do Carnaval e de suas matrizes culturais. A presença de uma pesquisadora brasileira dedicada às relações étnico-raciais também contribui para aproximar o debate sobre samba das discussões contemporâneas sobre identidade, memória e protagonismo negro na América Latina.

Realizado pela Print9 Tintas Especiais em parceria com a Federação Nacional do Samba (Fenasamba), o CONASAMBA chega pela primeira vez fora do Brasil com uma programação que reúne profissionais, gestores, pesquisadores e representantes de escolas de samba do Brasil, Uruguai e Argentina.

O congresso acontece no Museo del Carnaval de Montevidéu, que completa 20 anos em 2026, e integra as comemorações do espaço dedicado à preservação da memória carnavalesca uruguaia. Durante os dois dias, a programação reúne debates sobre ancestralidade, participação das mulheres, organização, gestão e profissionalização do Carnaval, além de apresentações culturais de escolas de samba uruguaias.

(Crédito: Divulgação)

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