(Bárbara Caroline Macedo, psicóloga jurídica)
Especialista destaca a importância de avaliações profundas e do olhar técnico em casos de violência doméstica e disputas familiares
A psicóloga jurídica Bárbara Caroline Macedo tem se destacado na atuação em processos de família e violência doméstica, oferecendo suporte técnico e escuta qualificada a mulheres que enfrentam disputas judiciais. Com trajetória que une clínica e atuação forense, a profissional chama atenção para a importância de avaliações psicológicas cuidadosas e comprometidas com a realidade dos envolvidos.
Formada em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 2013, Bárbara construiu um percurso acadêmico e profissional voltado à saúde mental e ao contexto jurídico. Realizou residência em Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), entre 2015 e 2017, e, posteriormente, concluiu mestrado em Comunicação Humana e Saúde pela PUC-SP, em 2022. Mais recentemente, especializou-se em Avaliação Psicológica no Contexto Forense pela PUC-PR, em 2025.
Da prática social ao campo jurídico
O interesse pela psicologia jurídica surgiu a partir da atuação em uma organização não governamental, em Curitiba, que trabalhava com acolhimento familiar. Nesse contexto, Bárbara acompanhava crianças afastadas de suas famílias por situações graves, além de atuar junto às famílias de origem, acolhedoras e candidatas à adoção.
“Foi nesse trabalho que tive contato direto com o sistema de Justiça, participando de audiências e compreendendo a complexidade das decisões que envolvem crianças e famílias”, explica.
Com o encerramento das atividades da ONG, a psicóloga buscou formação específica na área e passou a atuar de forma autônoma. Após cadastro no Tribunal de Justiça do Paraná, começou a ser nomeada para a realização de perícias psicológicas em varas de família.
Escuta técnica e defesa de direitos
Ao longo da prática, Bárbara identificou uma demanda recorrente: mulheres que se sentiam pouco ouvidas nos processos judiciais, especialmente em avaliações psicológicas consideradas superficiais.
“Muitas mulheres chegavam até mim relatando que não haviam sido devidamente escutadas. Isso compromete diretamente decisões importantes, principalmente quando envolvem filhos”, afirma.
Diante desse cenário, a psicóloga decidiu direcionar sua atuação para o atendimento de mulheres como assistente técnica, analisando processos e avaliações psicológicas já realizadas. O objetivo é oferecer um olhar técnico complementar, contribuindo para decisões mais justas.
“Percebi a dificuldade que muitas mulheres enfrentam para terem sua voz legitimada no processo. Foi isso que me motivou a nichar meu trabalho”, destaca.
O que é psicologia jurídica?
A psicologia jurídica é uma área da psicologia que atua na interface com o Direito, contribuindo com análises técnicas em processos judiciais. O trabalho envolve a compreensão de aspectos emocionais, comportamentais e relacionais das partes envolvidas, auxiliando juízes e advogados na tomada de decisões.
Entre os casos mais frequentes estão situações de violência doméstica, disputas de guarda e convivência, alegações de alienação parental e a chamada violência processual — quando o próprio processo judicial se torna fonte de sofrimento psicológico.
Atuação técnica e limites éticos
Bárbara também ressalta a importância de diferenciar a atuação clínica da jurídica. Segundo ela, são campos distintos dentro da psicologia, com objetivos e métodos próprios.
“Quando atuo como psicóloga jurídica, não posso exercer o papel de psicóloga clínica naquele mesmo caso. O trabalho é técnico, voltado ao processo judicial”, explica.
Já na clínica, a profissional atende adolescentes e adultos em psicoterapia, com base na psicanálise, focando no cuidado com a saúde mental.
Saúde mental e impacto nos processos
Embora a psicoterapia e a atuação jurídica não se misturem, a especialista destaca que a saúde mental da mulher é um elemento central em muitos processos.
“As questões emocionais aparecem de forma muito evidente nos casos, especialmente em contextos de violência doméstica e conflitos familiares. Por isso, é fundamental que essas mulheres também tenham acesso a um espaço terapêutico adequado”, conclui.