Edino Gomes, Psicanalista, ressalta aumento da ansiedade e depressão entre jovens impactados pelo excesso de telas

Hester M. Wasinger
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O crescimento dos casos de ansiedade e depressão entre crianças, adolescentes e jovens adultos tem chamado a atenção de profissionais da saúde mental em todo o país. Para o psicanalista, hipnoterapeuta e psicopedagogo Edino Gomes, o uso excessivo de telas e a hiperexposição ao ambiente digital estão entre os principais fatores associados a esse aumento.

Segundo o especialista, nunca se esteve tão conectado e, ao mesmo tempo, tão emocionalmente sobrecarregado. “As redes sociais criam um ambiente constante de comparação, estímulos rápidos e necessidade de validação. Isso impacta diretamente a autoestima, o sono, a concentração e o equilíbrio emocional”, explica Edino Gomes.

De acordo com ele, o problema não está apenas no tempo de uso, mas na forma como o conteúdo é consumido. A exposição contínua a padrões irreais de vida, aparência e sucesso pode intensificar sentimentos de inadequação, frustração e isolamento. “Muitos jovens estão fisicamente presentes, mas emocionalmente distantes. Há uma desconexão da vida real e um mergulho cada vez mais profundo no universo virtual”, ressalta.

Entre os principais sinais de alerta apontados pelo psicanalista estão irritabilidade frequente, mudanças bruscas de humor, queda no rendimento escolar ou profissional, distúrbios do sono, isolamento social e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. Em crianças e adolescentes, também podem surgir dificuldades de concentração e aumento da impulsividade.

Para Edino Gomes, é fundamental que pais e responsáveis observem mudanças comportamentais e estabeleçam limites saudáveis no uso de dispositivos eletrônicos. “A tecnologia não é vilã, mas precisa ser usada com consciência. É necessário criar espaços de diálogo e convivência fora das telas”, afirma.

O especialista sugere algumas estratégias práticas para reduzir os impactos emocionais do excesso digital:

– Estabelecer horários definidos para uso de celular e redes sociais
– Criar momentos sem telas, especialmente antes de dormir
– Incentivar atividades ao ar livre e práticas esportivas
– Estimular hobbies criativos, como leitura, música ou artes
– Promover encontros presenciais com amigos e familiares
– Buscar acompanhamento profissional ao identificar sinais persistentes de sofrimento emocional

Além disso, Edino destaca a importância do fortalecimento da identidade e do autoconhecimento. “Quando o indivíduo desenvolve segurança interna e consciência emocional, ele se torna menos vulnerável às pressões externas. O trabalho terapêutico auxilia nesse processo de reconstrução da autoestima e reorganização emocional”, pontua.

Para o psicanalista, enfrentar o aumento da ansiedade e da depressão exige uma abordagem integrada, que envolva família, escola e profissionais da saúde mental. “Precisamos resgatar o valor das relações reais, da escuta, do contato humano. O excesso de estímulo digital não pode substituir o vínculo afetivo”, conclui.

O alerta reforça a necessidade de equilíbrio entre tecnologia e vida social, especialmente em uma geração que cresceu imersa no universo online. Segundo Edino Gomes, o caminho para a saúde emocional passa por limites, presença e conexão verdadeira.

Informações: @dredinogomes

@agenciaacev @noticiasacev

(Fotos: divulgação)

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